Se dar satisfaz as células. Elas ficam cheinhas de si, correm loucas, tropeçando.

A diferença está em receber: nessa hora, elas ficam macias, mas paradas. Prendem a respiração por vários segundos, às vezes três, e então soltam um suspiro longo de aceitação.

Tem aqueles que não conseguem: ao receber, suas células ficam rígidas, elas até seguram o ar, inseguras, mas guardam em si por tanto tempo, que depois explodem. Daí é o fim, não recebem mais, só se espalham por aí, por todo mundo, por qualquer um.

O fato é que se dar é bom, a célula goza e ri. Mas o gozo é vida e a vida se vai.

Receber, é infinito, a célula que recebe, ganha tanto sopro de ar, sempre novinho em folha, que recarrega o suspiro pela eternidade…

Tem uma hora do dia, em que te olho e vejo o vazio.

Aquele bem simples, mudo, bem branco.

Eu pisco e ele solta, parece que sai de ti, alça voa, e cai em mim.

Nessa hora eu adormeço, e acordo esquecido de que teu olho em mim é nada.

Daí a gente pega a intuição e joga pro outro lado da rua.

Aceitamos o lacre  “beba sempre, neurose” e viramos a esquina, rindo do alívio que é se saber louco.

Caminhamos cegos a té a hora de tropeçar naquela esquecida, que nos grita na cara: “não me relativiza, porra!”

Porque intuição a gente sente, com tudo que vibra em nós, em um segundo.

A intuição é um sopro de esclarecimento, uma alerta quente, atrás da orelha,susurrada, macia, cheia de si, e de nós.

A intuição é o protagonismo da lucidez,que vem de mansinho.

Então, não chuta a tua intuição. Mas sim, quem brinca com ela.

NOvo Azul

ALI

bem ali,

onde o ar agitado

me TOCAVA

no qual lugar

onde o veemente

suspiro

o AI caloroso

do LAMENTO

de um SOM DOCE

de toda minha INERTE vida

arremessava-se

no precipício

dos meus DIAS

invisíveis

ali

onde o SOPRO

do mel rosado

o gosto do cair das nuvens

e a ONDA da música

embalavam o novo espectro

o despertar de pálpebras

que renasciam

PALIATIVOS

Personagens Permeando Pessoas

Rondam Esquinas

Esbarram em muros

Engolem o Cinza


Ilusões Que tecem verdades

entabulam caminhos

Que dissipam vaidades


AVIDA DILATA

DE LEVE TOCA

É CONTÍGUA.


usa laços de vento

cativa ternuras fugazes


de sortes inventadas…



PerdendoPensamento

Cores, Lápsos

Papéis amassados

Assim estão as sortes

Fatigadas de desesperanças


Os pés não se movem

E a vida só a seguir

A cabeça tropeça

O chão quer explodir


Abismos escuros

Escadas quebradas

Longes mais perto

Luz Apagada.

Partitura

conchinhaA parte tua em mim é linda

O que quer que eu seja nisto, pra sempre, também é tu

Percebi

No que penar, que pensar, que vir e descobrir

Teus passos serão gêmeos dos rastros que eu deixar

A areia que eu deslocar, o sal que eu carregar, o vento que toma um pouco do que sou

Levam tuas partes também, de fininho…

E num sopro meu, intacto estará teu hálito

Num abrir de pálpebras, tua retina é que vai perceber pra mim a imagem qualquer que ordenar ser vista

Qualquer célula horizontal, expandido as matizes que em ti guardei.

E algum dia, quando eu sangrar, olharei certa para o ordinário escarlate

E saberei, vendo-o brotar à superfície, que não escoarei por inteira

Há a tua essência a deitar em mim

A pousar sob minha razão, ainda a me ressurgir.